terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Mais Bela das Histórias de Amor

No átrio da escola, contam-se histórias invulgares, em momentos anormais. Sofia passa o tempo ao lado das escadas, gastas pelos passos dos alunos e professores, a olhar para os rapazes que vão passando, ouvindo as suas histórias sobre o mundo futebolístico ou mesmo conversas mais íntimas. Ao fundo do corredor, vê Miguel a fechar a porta do cacifo. Os seus olhos cor de céu, numa estranha sensação, param de pestanejar; os cabelos cor de mel ficam estáticos; as mãos ficam frias e o coração acelera. O estranho rapaz não devia muito à beleza, mas a sua personalidade e beleza interior realçavam nele o melhor de alguém. Começa a andar, com os livros na mão. No seu jeito atrapalhado, ajeita os óculos e compõe a camisola. Sofia olha, quieta… Não consegue parar de o olhar. Nem o ambiente escuro, velho e degradado daquela escola tiravam a beleza àquele momento. A jovem levanta-se, vai de encontro ao rapaz. Ganha coragem para se declarar. Uma porta abre-se, chocando contra o corpo de Miguel e fazendo com que os livros lhe caiam ao chão. A bela rapariga baixa-se para o ajudar. Ele ajeita novamente os óculos e em jeito trapalhão diz:
- Não vi a porta e caíram-me os livros…
- Deixa que eu ajudo.
Os dois olham-se, num olhar intenso, mágico, uma magnífica expressão de amor.
- Obrigado… - diz o rapaz corado.
- Queres ir comer um gelado? – pergunta Sofia em tom tímido.
- Pode ser… - responde-lhe Miguel ainda corado.
- Então vem comigo e não tenhas medo…
Dão as mãos e avançam pela porta da saída, rumo a um destino que se mostraria a maior de todas as histórias de amor…

Tiago Meireles 28/12/2012 

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